Allan Maia
Luiz Fernando Calaça
Pâmela Pitágoras
Renata Moreira
RESUMO
A psicoterapia é uma das mais tradicionais e corriqueiras práticas dos psicólogos. A fim de investigar como fazer para conhecer os reais benefícios da psicoterapia, e de promover uma melhoria na forma como é emprega, pretendemos, nesse trabalho problematizar a questão das terapias psicológicas, se cumprem ou não com suas finalidades de produzir melhora naqueles que demandam sua intervenção.
Essa preocupação se justifica pelo fato de que a psicoterapia, como um dos instrumentos de atuação dos psicólogos, pouco sofre avaliações ou questionamentos por parte daqueles que a exercem. Por essa deficiência, é importante conhecer o panorama atual das pesquisas de eficácia bem como os esforços para qualificar e otimizar o uso terapêutico desse recurso técnico do psicólogo. No presente trabalho realizamos uma revisão de literatura de estudos clássicos e atuais sobre avaliação de eficácia em psicoterapia em diversas abordagens, apontando para questões teóricas e técnicas, bem como éticas da prática da psicoterapia.
Palavras-chave: Psicoterapia, Eficácia, Validade, Ética.
II – Introdução
Este trabalho sobre a avaliação da eficácia das terapias psicológicas ocorre em um momento de feliz coincidência com a eleição, pelo Sistema de Conselhos de Psicologia, do ano de 2009 para fomentar o debate sobre a psicoterapia. Dessa forma tivemos uma grande oportunidade de aproveitar esse momento para uma maior aproximação com as produções do nosso Conselho. A exemplo da reflexão proposta por Carlos Roberto Drawin em seu texto “Psicoterapia: elementos para uma reflexão filosófica” publicado no site Psicologia Online (www.pol.org.br).
A problemática da associação entre psicologia e ciência é, dessa forma, atualizada e correlacionada com a possibilidade de avaliação sistemática dos resultados produzidos pelas intervenções psicoterápicas.
Algumas pontuações propostas pelo Drawin foram aqui incluídas, dada a sua importância para a temática aqui tratada.
“A psicologia clínica, comprometida com o cuidado, com a cura do ser humano, encontra-se exilada do “logos”, da razão em sua concepção moderna.” (p. 25)
“(…) abre-se um abismo entre a teoria e a prática, entre a Ciência e a Ética, um abismo que deve ser transposto pela faculdade de julgar como aquela que interroga acerca do fim ou acerca do sentido da vida humana no mundo. Por isso, as três questões que regem o pensamento crítico – “Que posso saber?”, “O que devo fazer?”, “O que me é permitido esperar?” – são articuladas, como bem viu Heidegger, numa profunda retomada da questão antropológica fundamental: O que é o homem? Kant foi um pensador da modernidade e, portanto, a pergunta pelo ser humano expressa a demanda de sentido como exigência de se passar da subjetividade transcendental, instância de fundamentação da ciência, ao plano da experiência histórica e existencial na qual o sentido se expressa e se realiza.” (p.28)
“As psicoterapias possuem um caráter sapiencial que as aproxima dos antigos exercícios espirituais e sua riqueza consiste não só em preservar o lugar antes ocupado pela sabedoria antiga.” (p.29)
O primeiro passo para o estudo da avaliação da eficácia das psicoterapias é o aprofundamento do conceito de psicoterapia.
2.1. Definição de Psicoterapia
Definir o que é psicoterapia em poucas palavras não é uma tarefa fácil. Segundo Porchat (1989) “A terapia é um processo de crescimento pessoal, de desenvolvimento de potencialidades, de aprofundamento do próprio conhecer-se”; ainda de acordo com ele “Procura-se um terapeuta quase sempre pelo mesmo motivo: problemas. Problemas de várias ordens que têm em comum o fato de terem se tornado insolúveis e angustiantes para as pessoas que os vivenciam”.
Quando uma pessoa se submete a um procedimento psicoterapêutico, ela procura uma resposta para questões que lhe causam sofrimento, ansiedade, tristeza, desespero, angústia.
III. Conceitos de Eficácia e Eficiência
Segundo Batista (1999), o empenho na avaliação da eficácia dos tratamentos psicológicos está longe de ser partilhado pelos diversos modelos e escolas de psicoterapia, tendo sido criadas organizações com a finalidade de estudar a eficácia dos tratamentos e as melhores condições para a sua aplicação em diversos paises do mundo, como Austrália, Nova Zelândia (The Quality Assurance Project, 1983, 1984, 1985), Reino Unido (Serviço Nacional de Saúde) e Estados Unidos Agency for Health Care Policy and Research – 1989; Associação Psicológica Americana, 1993, 1995). O objetivo principal dessas organizações era o de corrigir a enorme variabilidade nos tratamentos oferecidos pela qual os pacientes podem receber tratamentos ineficazes ou sem eficácia comprovada pela determinada perturbação, apesar de exigirem tratamentos eficazes. Elas têm produzido recomendações para a prática clínica que deverão ser entendidas pelos clínicos e associações profissionais como códigos de conduta profissional.
A APA tem desenvolvido um esforço considerável nesta área para desenvolver modelos de avaliação de procedimentos psicológicos de intervenção na saúde mental e física, modelada a partir do Standards for Educational and Psychological Testing (APA, 1985), que foi construído tendo como base a avaliação de dois eixos: a eficácia e a eficiência, ou utilidade clínica das intervenções. A eficácia refere-se à avaliação sistemática dos resultados produzidos pelas intervenções em ensaios controlados, enquanto que a eficiência ou utilidade clínica se baseia na aplicabilidade das intervenções aos locais ou serviços a que se destina, isto é, a generalização dos resultados obtidos nos centros de investigação aos centros públicos ou privados existentes na comunidade e na sua aceitação pelos possíveis usuários.
De acordo com critérios pré-estabelecidos as intervenções psicológicas foram classificadas em três categorias: tratamentos bem estabelecidos, tratamento provavelmente eficazes e tratamentos experimentais.
Uma intervenção é classificada como bem estabelecida se forem seguidos os seguintes critérios: 1) pelo menos dois ensaios clínicos experimentais conduzidos por diferentes investigadores, que demonstrem a eficácia do tratamento; o tratamento tem que ser ou equivalente a um tratamento já estabelecido ou superior a um placebo psicológico / médico ou a outro tratamento; ou 2) uma grande série de estudos de desenho de caso único (n>9) que demonstrem a eficácia do tratamento. Para além disso, o tratamento tem que estar especificado num manual de tratamento e as características dos usuários a quem se destina estar claramente especificadas.
Para ser classificado como tratamento provavelmente eficaz, deve existir 1) dois ensaios clínicos em que o tratamento mostrou ser superior a um grupo de controle em lista de espera ou um mais ensaios clínicos em que foram preenchidos os critérios para tratamento bem estabelecido com a exceção de terem sido efetuados por investigadores independentes ou 2), uma pequena série de estudos de desenho de caso único (n > 3) que demonstrem a eficácia do tratamento.
A demonstração que determinada intervenção é eficaz num centro de investigação ou numa clínica universitária, apesar de existirem réplicas dos resultados em dois centros independentes, como é o caso dos critérios para os tratamentos bem estabelecidos de terapias empiricamente validadas, não responde à questão fundamental da eficácia destas intervenções nos centros de rotina destinados à comunidade. Nos centros de investigação existem condições próximas das ideais para a efetuação de intervenções, como manuais estruturados, supervisão de procedimentos e seleção de sujeitos. Essas condições são muito diferentes ou pouca relação tem com as condições de trabalho dos centros de tratamento de rotina. Nestes existe principalmente uma grande pressão para o desempenho, em termos de números de pacientes a tratar, comorbidades entre várias perturbações e é habitual que haja uma maior flexibilidade de procedimentos, quer no sentido de adequar o tipo de intervenção ao perfil da perturbação, que de ir alterando a intervenção de acondo cm a resposta que vai ocorrendo, não se prolongando numa intervenção que não produz resultados.
Variáveis relacionadas a características dos pacientes, as características dos terapeutas, como competência e experiência, a forma mais ou menos estruturada da intervenção, podem estar associadas com a eficácia das intervenções. Tais relações podem não ser as mas óbvias, havendo resultados de investigações que indicam que a experiência do terapeuta está inversamente relacionada com os resultados obtidos, e que as intervenções estão mais relacionados com o conhecimento da técnica e dos procedimentos a efetuar com que com a experiência do terapeuta. Outro fator relevante é a aderência aos protocolos de tratamento. O resultado do tratamento, assim como a estabilidade ao longo do tempo, estão associados com a qualidade com que o mesmo tratamento é efetuado.
Outro aspecto apontado por Batista (1999), é a questão da acessibilidade e disseminação dos tratamentos empiricamente validados, considerando a importância de que estes procedimentos estejam disponíveis para poderem ser aprendidos e que exista oportunidade de formação, treino e supervisão. Há, no entanto, segundo a APA (1983), poucos programas que ensinam estas intervenções. Da relação de tratamentos empiricamente validados, apenas 10 de 18 tratamentos seriam ensinados nos cursos, e apenas metade teriam supervisão clínica. A existência de técnicos preparados para executar estes procedimentos, deveriam estar a disposição dos usuários nos serviços de saúde privados ou públicos, devendo ser efetuados de modo adequado.
IV – Histórico das Pesquisas em Avaliação de Eficácia das Psicoterapias
Através da crescente expansão da Psicologia, e de sua larga atuação, principalmente pela psicoterapia, fez com que os pesquisadores da ciência psicológica passassem a se interessar e questionar se de fato as psicoterapias alcançavam os resultados prometidos. Segundo Atkinson (2002), a psicoterapia é considerada efetiva se a melhora do cliente, após a terapia, é maior do que qualquer melhora que ocorra sem a terapia, durante o mesmo período. As primeiras pesquisas sobre avaliação de eficácia das psicoterapias começam com pouco mais de 50 anos da construção de parâmetros para delimitar uma ciência psicológica, datando do início da década de 30 do século passado, mas que ainda não apresentavam um rigor dos meios de proceder tal avaliação.
Podemos destacar alguns pioneiros dessa pesquisa de eficácia nas terapias psicológicas. Na terapia comportamental, alguns nomes como de Landis (1937); Knight (1941); Wilder (1945); Eysenck (1952); Wolpe (1958); Paul (1965); Moore (1965); Strupp (1972) aparecem com destaque. A tendência que esses autores mostram no princípio da pesquisa de eficácia na abordagem comportamentalista é a apresentar números de melhora dos pacientes, desenvolver critérios e métodos para validar a efetividade da psicoterapia, além comparar abordagens e técnicas diferentes com a comportamental.
Para Jung (2006), a Psicanálise teria em Freud o percussor da avaliação de eficácia, ao questionar o processo terapêutico desenrolado no caso Ana O. Entretanto, existem poucos relatos dessa preocupação nas pesquisas de eficácia no cerne da teoria psicanalítica, configurando-se mais nas investigações que se preocupavam em utilizá-la a fim de comparação com demais teorias. Todavia, esse panorama passa a mudar a partir da década de 80 do século passado, em que a necessidade dos profissionais em validar seus métodos e técnicas, aproxima mais a teoria de uma preocupação criteriosa e empírica.
A realização de pesquisas comparativas entre teorias e técnicas sempre foi uma tendência representativa. Nomes como de Sloane et Al. (1975); Bergin & Lambert (1978); Shapiro & Shapiro (1980); Stiles, Shapiro & Elliott (1986); Orlinsky & Howard (1987), apresentam pesquisas que vão além do simples paralelismo entre os arcabouços, mas também abordando temas como remissão espontânea e relação terapeuta e cliente.
Podemos perceber que os avanços das pesquisas sobre eficácia das psicoterapias foram mais intensos nas décadas de 70/80 do século XX, e que tendiam a uma avaliação de eficiência das abordagens para saber qual era a melhor, alimentando a briga entre escolas. Depois da mudança desses direcionamentos, as pesquisas passaram a tomar como norteamento avaliar quais técnicas era mais eficientes/ eficazes que outras e voltadas para quadros clínicos específicos. Aumenta-se a inclinação para identificar qual psicoterapia poderia ser mais eficaz em determinados tipos de transtorno, como depressão, síndrome do pânico, transtorno bipolar, transtorno obsessivo compulsivo, obesidade, entre outros. (Carvalho, Nardi & Range, 2008; Cordioli, 2009; Duchesne et al. 2007; Knapp & Isolan, 2009; Schestatsky & Fleck, 2009).
Outra direção dessas pesquisas fora de demarcar os métodos principalmente no uso de grupo controle, ou seja, reservar um grupo que não seria submetido a nenhum tipo de psicoterapia, além de pesquisas utilizando o modelo naturalista e estudo de caso.
É importante frisar que ao longo desse percurso histórico das pesquisas em avaliação da eficácia das psicoterapias, alguns critérios ganharam destaque. O tempo de duração da psicoterapia é substancial para delimitar a eficácia, pois procedimentos ademais demorados podem evidenciar uma possível ineficácia de proporcionar solução dos problemas ao cliente, conseqüentemente, ineficácia da terapia. Outro item importante é a relação estabelecida entre terapeuta e cliente, assim como experiência do profissional, sua formação e tempo de prática clínica, pois qualquer impasse nesse vínculo inviabiliza a continuidade dos procedimentos. Fatores como custo, duração dos resultados obtidos também ganham relevância. Atualmente, já é possível contar com instrumentos padronizados como o questionário de efetividade (The Consumer Report Study) (Jung et al, 2007), que tenta padronizar a obtenção da eficácia das psicoterapias.
Hoje, a investigação da eficácia das psicoterapias ganha cada vez mais relevância, e há uma crescente divulgação de pesquisas nessa área. Outra grande tendência na atualidade está no deslocamento do foco das pesquisas de comparação entre as teorias, voltando agora para validação das técnicas dentro das práticas psicoterapêuticas, a fim de consolidar o arcabouço teórico e a prática clínica. Esse processo pode ser exemplificado pela Psicanálise, que passou a volta-se para uma averiguação de métodos, uso de escalas, na tentativa de avaliações mais científicas.
V – Terapias Psicológicas: Objetivos, Técnicas e Avaliação
5.1. Psicanálise e Psicoterapias Psicodinâmicas
A psicanálise é uma das abordagens mais antigas e tradicionais no campo da psicoterapia. Suas técnicas evoluíram da hipnose de Charcot, ao método catártico de Breuer, que por fim veio a ser modificado por Freud, que instituiu o recurso da associação livre. A pedra de toque do manejo técnico da psicanálise é a questão da transferência e dos processos de resistência.
Uma das principais formas de alaviação da psicanálise foi a prática dos registros de casos clínicos, que se tornou clássico na psicanálise desde Freud (Caso Dora, Caso Schreber, Caso do Homem dos Ratos, Caso do Homem dos Lobos, etc), que se faz presente na maior parte das obras psicanalíticas e servem como paradigmáticos na formação teórica dos psicanalistas.
Ao longo do desenvolvimento da abordagem houve várias rupturas entre os teóricos e a constituição de abordagens de base psicanalítica que divergiam de algum modo da teoria ou da técnica psicanalítica clássica. Dentre os psicanalistas dissidentes mais conhecidos temos Jung, Reich, Adler, Ferenczi e Otto Rank, havendo também divergências teóricas entre Anna Freud e Melanie Klein, quanto à técnica e teoria da psicanálise com crianças.
Há também distinção entre a psicanálise propriamente dita e as chamadas psicoterapias psicodinâmicas, tanto no manejo técnico quanto nos objetivos a que se propõem.
Durante muito tempo, nem os pressupostos psicanaliticos em que se baseiam os seus procedimentos terapêuticos, nem estes procedimentos, foram submetidos a testes empíricos para avaliação de seu poder preditivo, na compreensão da experiência humana, ou da sua eficácia terapêutica, embora a psicanálise e outras técnicas psicoterapeuticas dela derivadas sejam de grande popularidade na opinião pública e nos meios de comunicação. (Batista, 1999).
Wallerstein (2005, apud Jung, Fillippon, Nunes e Eizirik, 2006), no entanto, apontam para a existencia de 4 cíclos de pesquisas (2 deles desenvolvidos em paralelo) de eficácia da psicanálise, que teriam características diferentes:
1) 1917 – anos 60: caracterizaria-se por contagens estatísticas de resultados em diferentes categorias de pacientes;
2) 1950-anos 80: caracterizaria-se pela construção de medidas, escalas para avaliação antes e depois do tratamento e preditores para os resultados;
3) 1950-anos 80: adiciona o processo terapêutico às medidas de resultado e os estudos de seguimento na fase pós-tratamento;
4) 1980 – atual: envolve novas medidas de resultados para a avaliação da estrutura psicológica, da mudança estrutural e do processo terapêutico.
A tendência predominante dos estudos em psicanálise, e o uso de delineamento naturalístico, que tende a avaliar mais o aspecto da efetividade que necessariamente a eficácia, utilizando-se como metodologia de análise de dados a análise de conteúdo.
As perspectivas atuais apontam para uma maior democratização dos conhecimento científico e de possibilidades de trocas de pesquisadores de todo o mundo, embora traga uma política para a uniformidade, através da qual as peculiaridades locias, a cultura e a tradição ficam menos valorizadas, trazendo o mesmo perigo para uma tentativa de unificar a comunidade de pesquisa psicanalítica (Bohleber & Burgin, 2003, apud Jung, Fillippon, Nunes e Eizirik, 2006).
Wallerstein assinala para uma tendência atual em transcender o pluralismo teórico compartimentando a psicanálise, o que poderia se estender para a psicoterapia psicanalítica e suas diversas metodologias, em direção à convergência em pontos em comum. Por outro lado, Bernardi entende que não é possível pretender um consenso a que as disciplinas cientificas chegam com suas metodologias replicáveis, considerando que o consenso na psicanálise seria o consenso de artistas, que podem chegar a um acordo de que algo é uma obra de arte, ainda que cada um a realize se modo diferente.
Em contraste com a idéia de unificação, o que foi apresentado até agora em pesquisas de resultados da psicoterapia psicanalítica, apesar do predomínio de delineamento naturalístico, foi a diversidade de técnicas metodológicas e no uso de instrumentos de medidas de resultados em diferentes sociedades e culturas, trazendo a idéia de pluralismo. As investigações dosprocessos e resultados de tratamentos estariam tomando duas direções principais: 1) tentativa de convergência de estudos de resultados com os estudos de processo analítico, e 2) preocupação mais clínica com os valores, caracterizando-se por investgações que resultam mais diretamente na prática realizada nos consultórios.
Os estudos da quarta geração, prometem não apenas integrar s vários estudos de processos psicanalíticos realizados pelos vários grupos de pesquisa como também dos estudps de processo com os de resultado. Em relação às linhas de pesquisa, permanece atual a discussão entre pesquisadores que estudam os fatores específicos e os que investiga,, os fatores comuns à psicoterapia. Os primeiros se preocupam em responder indagações como quais os efeitos que a psicoterapia produz, qual o melhor e mais efetivo tratamento, para determinada patologia e quais intervenções são mais adequadas para o paciente, considerando o momento atual de vida e a cultura que está inserido; ou seja, defendem a utilização de técnicas e terapêuticas diferenciadas nas diferentes patologias. O segundo grupo (fatores comuns), acreditam que o resultado do tratamento não depende da abordagem, mas de fatores compartilhados por todas as psicoterapias como alinaça terapêutica, empatia, intervenções mais ou menos diretivas e o invertimento e as capacidades do próprio paciente.
A maioria dos estudos psicanalíticos são para o modelo de efetividade. Leichsenring propõe o uso de estudos prospectivos quase experimentias, de alta representatividade clínica, como o padrão ouro dos estudos naturalísticos, caracteridaos por não randomização da amostra, equiparação ou estratificação dos grupos, descrição clara e precisa do tratamento, dos pacientes e sua seleção, uso de medidas de resultado e procedimentos diagnósticos validos e confiáveis, uso de elementos adicionais ao delineamento (como estudo preliminar detalhado e grupos adicionais de comparação), informe sobre as perdas, pré e pós-avaliação, estudo de seguimento e informe de dados estatísticos de relevância.
Alianda a eficácia e efetividadem a pesquisa centrada no cliente surge como o terceiro paradigma de avaliação das psicoterapias, com a retomada os estudos de caso, porém com uma metodologia mais rigorosa e refinada.
O estudo naturalístico, o controlado randomizado e as investigações chamadas “microanalíticas” caracterizariam, então, o panorama atual em pesquisa de psicoterapia psicanalítica.
Outra tendência é o desenvolvimento de estudos prospectivos, cuja principal vantagem é ter pontos diferentes de medida (in loco) antes, durante e após o tratamento, produzindo resultados mais acurados do que a reconstrução de dados passados. Entretanto traz a desvantagem do alto custo, duração loonga e influencia da pesquisa no processo analítico. Já a pesquisa retrospectiva tem a vantagem de não influenciar o processo da psicoterapia e demandar menores recursos financeiros e tempo dedicado à pesquisa, tendo como desvantagens a avaliação retrospectiva dos pacientes, o controle limitado do pesquisador de como delinear a estratégia de amostragem da população e sobre os dados existentes, que podem não incluir informações relevates e acuradas para a pesquisa.
Em síntese, no entanto, é evidente um movimento atual no sentido da realização de pesquisas de investigação das psicoterapias psicanalíticas, prinicpalmente nos cursos de pós-graduação das universidades, embora com poucas pesquisas de longa duração ocorrendo na América Latina e no Brasil.
5.2. Behaviorismo Radical: Análise funcional, Eficácia, Eficiência e Validade interna
Ulian, em sua tese de doutorado, levanta pontos importantes sobre a sistematização de uma prática terapeutica analítico-comportamental, problematizando o tema da análise funcional que podem ser transpostas para o estudo de eficácia da psicoterapia como um todo. Aponta para a importância de se conhecer das bases filosóficas, teóricas, metodológicas e tecnológicas da psicologia no desenvolvimento da prática profissional do psicólogo, apontando para o fato de que, segundo Skinner (1953) as “práticas devem representar uma posição teórica bem definida” e de que as “teorias afetam a prética”, concluindo que “confusão na teoria significa confusão na prática”. Diante disso defente a importância de uma formação teórica sólida como uma forma de preencher o hiato entre o pesquisador e o prático.
Remetendo-se à história da Psicologia como ciência, Ulian (2007) refere-se ao método experimental utilizado com sujeito único ou com poucos sujeitos, como método que permitiu à psicologia entrar no rol das ciências naturais. Esse método de pesquisa mudaria na década de 30, com o uso de métodos de pesquisa com grandes amostras, grupos de cntrole e análise estatística, que apresentariam métodos regras básicas que tornavam os resultados das pesquisas mais claros, com o delineamento de comparação entre grupos como o paradigma para a pesquisa em psicologia. Ulian aponta, no entanto, para o afastamento dos clínicos da pesquisa, pela orientação nomotética falar de um homem médio que não correspondia com os problemas da clínica, que lida com dados individuais e não médios (Barlow, Hayes & Nelson, 1984, apud Ulian, 2007).
Allport, na década de 60, recomendava o estudo intensivo do indivíduo, a partir de uma abordagem idiográfica, como forma de suplementar o estudo de grupo, o que veio a levar às primeiras preocupações com o controle experimental no estudo de caso único (Kazdim, 1982, apud Ulian, 2007). O delineamento experimental de Skinner para caso único (A-B-A), seria um método que poderia auxiliar na avaliação dos resultados dos tratamentos utilizados, como modelo de sistematização de uma prática até então sem delineamento de controle definido, sem demonstração de eficácia ou de efetividade.
Os conceitos de eficácia e eficiencia são importantes na avaliação das técnicas psicoterapeuticas. A APA (1985, apud Ulian, 2007) realizou um trabalho em 1995 com objetivo de desenvolver recomentações para um guia de prática baseada em evidências, definindo eficácia como mudanças produzidas por um tratamento em uma sindrome-alvo, e efetividade como a transposição dessa mesma intervenção numa situação do “mundo real” (APA, 1985). O conceito de prática baseada em evidência”, no entanto, ainda não estava bem compreendido (Chorpita, 2003, apud Ulian, 2007), sugerindo, porém, que a base de evidência deveria advir de quatro tipos de pesquisa, sendo uma de eficácia e três de efetividade, com diferentes graus de controle:
Tipo 1: Pesquisa de eficácia: parte de elementos da prática, passa pelo laboratório, com o objetivo de testas hipóteses, com controle de variáveis e alcança resultados positivos, observando-se os efeitos da VI sobre a VD.
Tipo 2: Pesquisa de transportabilidade: perde um pouco do controle sobre as variáveis, pois não exigiria que alguma variável pudesse influenciar o procedimento, transporta o trabalho para mais perto do “mundo real”, mas continua o controle sobre os terapeutas e supervisores, e aponta para o quão promissor é o trabalho realizado.
Tipo 3: Pesquisa de disseminação: o controle se mantem sobre uma ou poucas variáveis, permanecendo apenas sobre os supervisores, aproximando mais ainda do mundo real.
Tipo 4: Pesquisa de avaliação sistêmica: o investigador observa o que acontece no mundo real sem qualquer controle ou interferência, sem o controle de terapeutas e supervisores, sendo que, observando-se que o o procedimento foi promissir, teria-se desenvolvido um procedimento eficaz e efetivo, tendo partido da pesquisa de eficácia para fora do laboratório, mostrando sua efetividade.
O delineamento experimental A-B-A caracterizaria-se por um procedimento de eficácia, e sua análise funcional deveria ser necessariamente experimental, obedecendo critérios de controle e manipulação de variáveis, o que traria para a Psicologia Clínica segurança em relação aos procedimentos utilizados.
Um outro aspecto, no entanto, a ser levado em consideração é a eficiência, que está associada aos menores custos das ações ou à boa utilização dos recursos financeiros e humanos (Silva e Formigli, 1994; Marinho e Façanha, 2001, apud Ulian, 2007). Sendo que a manutenção de um modelo de análise funcional , restrita à manipulação experimental de variáveis demonstrando relações causais entre si, mostraria-se pouco eficiente, posto que seu custo seria muito alto para o benefício alcançado desse tipo de experimento.
O delineamento A-B-A, também não seria a melhor solução para a pesquisa em Psicologia Clínica, por questões éticas. Um delineamento que considera o “sujeito como seu próprio controle”, tomando-se a linha de base do comportamento problema, aplicando-se um procedimento (tratamento) e, depois, retirando-se esse tratamento, voltaria-se às condições de linha de base, se tratando de um procedimento de reversão. Entretanto, na prática mais importante que a pesquisa é o próprio bem estar do cliente, não sendo aconselhável retirar um procedimento cuja manipulação envolvida foi responsável pela melhora observada. Além do fato de que, mesmo realizada a reversão em situação clínica, esta lidaria com a irreversibilidade de muitas das condições que determinam o comportamento, não sendo possível reverter um processo de aprendizagem, para se testar ou comparar a eficácia de outro método com o mesmo indivíduo.
Diante dessa dificuldadem outros delineamentos foram desenvolvidos, para se mater algum controle sobre as variáveis de tratamento e atender às necessidades da situação clínica, chamados de caso único quase experientais, tomando-se a medida do comportamento antes do tratamento e outra (ou outras) depois, mas sem o uso da reversão.
No delineamento da linha de base múltipla, algumas respostas (pessoais ou situações comparáveis) são identificadas e as medidas adequadas são tomadas por um determinado tempo, produzindo-se linhas de base. Introduz-se uma variável independente sobre as respostas (pessoas ou situações) e se observa qual e quanto de mudança foi produzida nela e nas demais. Quando esta resposta (pessoa ou situação) apresentar estabilidade, introduz-se a VI à próxima resposta (pessoa ou situação) e observa-se a respectiva mudança, mantendo-se o procedimento em seqüência, até que a VI tenha sido aplicada a todos os eventos selecionados (Hersen & Barlow, 1984, apud, Ulian, 2007).
Um outro delineamento é o do critério móvel, onde a medida do comportamento em questão é tomada como linha de base e, a partir dela, observam-se as mudanças do comportamento, com a introdução de exigências (mudanças de critério de desempenho) cada vez mais próximas de um comportamento final desejado (Poling et al, 1995, apud Ulian, 2007).
Há ainda o delineamento conhecido como estudo de caso tipo A-B, que ficou seno o mais usado na clínica. Nesses tipos de estudo, A representa a fase de observação e medida do comportamento, sem nenhuma intervenção, e B é a fase de tratamento. Tem-se assim, um ponto de referência (fase A), e B é a fase de tratamento. Tem-se, assim, um ponto de referência (fase a) a partir da qual o efeito da variável tratamento pode ser avaliado (fase B), o que ermite alguma possibilidade de relacionar o procedimento utilizado com as mudanças comportamentais.
Entretanto, o controle sobre a VI (tratamento utilizado) no estudo de caso A-B é precário, sendo possível que se levante suspeitas sobre variáveis estranhas que podem interferir no processo, ameaçando assim a validade interna do estudo. Validade interna corresponde ao quanto a intervenção (e não influencias estranhas) pode ser considerada explicativa dos resultados (Kazdin, 1993, apud Ulian, 2007).
Kazdin (1982, 1993, apud Ulian, 2007) fez um levantamento de variáveis que poderiam influenciar os resultados de proceimento e os chamou de “ameaças à validade interna”, que dizem respeito ao delineamento do caso único. São elas a história do cliente ao longo do processo, os processos de maturação, o efeito do teste, por avaliação repetida, a instrumentação de medida ou procedimentos de avaliação, e a regressão estatística, com reversão de escores em direção à média.
Com o objetivo de avaliar a influencia dessas ameaças à validade interna num estudo de caso, Kazdin elaborou um processo decisório pelo qual classifica os estudos em tipo I, II ou III, de acordo com as possibilidades de eliminação dessas cinco ameaças. As características levantadas por Kazdin podem ser transformadas nas perguntas:
1) Os dados são observáveis?;
2) Houve avaliação continua das respostas?;
3) Os efeitos da intervenção são imediatos e acentuados?
4) É possível observar estabilidade do problema apresentado?
5) Há múltiplos casos?
Se apenas a primeira questão for respondida, o estudo de caso seria classificado como Tipo I, pois o único cuidado tmado seria a medida objetiva antes da introdução do tratamento e outra depois, não sendo possível afastar nenhuma variável estranha, impedindo concluir se tratamento produziu mudança de A para B.
Se puder responder mais duas perguntas, então poderia ser classificado de Tipo II. Se puder responder às questões 1,2,4 e 5, ele pode ser considerado como Tipo III.
Tendo avaliação continua, com medidas repetidas tomadas antes da intervenção, mudanças devidas à forma de avaliação já seria bservada antes da introdução do tratamento. Observando-se efeitos imediatos e acentuados quando a intervenção é iniciada, pode-se dizer com bastante segurança que tais efeitos foram devidos ao tratamento.
Observar os efeitos imediatos e acentuados permite afastar as variáveis relativas à história e à maturação, mas não completamente, pois alguns problemas mudam por si só, e assim, uma mudança drástica pode não ser devida ao tratamento. Algo inevitável e inexperado pode acontecer na vida do cliente e ocasionar também uma mudança abrupta de no seu desempenho, que também não será devida ao tratamento, de modo que responder sobre a estabilidade do problema é imprescindível para que um caso seja classificado como tpo III, pois se o problema for estável, pode-se prever sua continuidade no tempo e será possível afirmar que qualquer mudança ocorrida com a introdução do procedimento dói, de fato, devida a ele. Sendo que tal resposta só poderá ser obtida quando é feita avaliação continua.
O delineamento de estudo de caso A-B com os cuidados apresentados por Kazdin (1982) parece ser a solução para auxiliar o clínico, analista de comportamento, a ter um controle sobre o tratamento, embora, conforme salienta Ulian (2007), não permita estabelecer de fato uma relação funcional, que prove que o tratamento levou ao resultado.
5.3. Abordagem de aprendizagem de Holmes
Dentro das abordagens de aprendizagem, Holmes organizou os seus estudos delimitando e descrevendo as técnicas utilizadas pelos profissionais de tal grupo e propôs colocá-las a prova.
Inicialmente, ele compreende a ansiedade como principal foco de atuação dessas abordagens, geralmente como resultado de um condicionamento inapropriado de uma resposta de medo. Neste sentido, a atuação profissional envolveria a correção desse condicionamento. Para tanto, o foco de trabalho estaria voltado para os aspectos fisiológicos. Através da redução da tensão fisiológica, se chegaria a uma conseqüente redução da ansiedade.
Holmes, então, enumera três possibilidades de atuação para a abordagem de aprendizado: a extinção a inibição e o que ele nomeou de “aprender a relaxar”.
Na Extinção, o princípio básico seria a apresentação do estímulo temido em uma situação que não houvesse razão para se temer. Tal apresentação, neste contexto, pode ocorrer com a utilização do estímulo real, ou ainda com a imaginação do estímulo. Num primeiro momento o sujeito pode ser tomado pela ansiedade. Esta situação é conhecida como inundação.
Através de uma pesquisa, Holmes expôs os resultados de quão eficaz essa técnica pode ser. Essa pesquisa aconteceu com participantes que apresentavam agorafobia. Eles foram separados em quatro grupos e experimentaram tratamentos diferentes em cada um. O primeiro experimentou a exposição a lugares abertos; o segundo grupo foi tratado com medicação; o terceiro através de uma combinação de exposição e medicação; o quarto se reuniu para uma discussão dos seus problemas.
Os resultados foram medidos através de observação de quantos comportamentos relacionados ao medo o sujeito poderia desempenhar antes e após os seus tratamentos. Finalmente, obteve-se que os três primeiros grupos tiveram bons resultados e foram igualmente eficazes, sendo que tiveram uma melhor resposta melhor que a do quarto grupo.
Com a Inibição, é apresentada a idéia de dessensibilização sistemática. Este processo acontece em três etapas, da seguinte maneira: ensina-se o sujeito a relaxar através de técnicas apropriadas; em seguida, listam-se os estímulos causadores de ansiedade, do menos temido ao mais temido; enfim, relaxa-se e entra-se em contato com o estímulo menos temido, sucedendo até chegar ao estímulo maior.
Pesquisas voltadas pra esse procedimento sugerem que o mesmo tem bastante eficácia para a redução de medos e fobias. Entretanto, alguns pesquisadores questionam se não seria a exposição a tais estímulos temidos a real produtora dos efeitos de redução.
Finalmente, outra possibilidade de utilização dessa abordagem ocorre através do ensino de técnicas de relaxamento ao cliente para que possam ser utilizadas por ele sempre que se sentir ansioso. Holmes se refere a essa forma de atuação como “Aprender a Relaxar”.
As pesquisas ao redor desta técnica concluíram que, de fato, a seu uso reduz a estimulação fisiológica. Complementam ainda afirmando que alguns indivíduos passam a usar a técnica em outras situações de ansiedade. Entretanto, questionam a sua eficácia supondo que o relaxamento poderia produzir um sentimento de melhor habilidade de enfrentamento. Sendo que isso, de fato, teria produzido a mudança.
5.4. Abordagens Cognitivas
As abordagens cognitivas também encaram a ansiedade como sua área de trabalho. Entretanto, é possível perceber que existem formas diferentes de encarar o mesmo conceito.
Para o cognitivismo, a ansiedade pode ser surgir à partir de algumas situações: quando o sujeito está seletivamente atento para estímulos que provocam ansiedade; quando seletivamente recorda pensamentos ansiogênicos; quando interpreta mal estímulos neutros como provocadores de ansiedade ou quando espera erroneamente que situações sejam ameaçadoras.
A atuação dessas abordagens, portanto, aconteceria através da modificação de crenças do sujeito, ou então da distração dos pensamentos mal-adaptados. Dentro do contexto de modificação de crenças, existem dois tipos de crenças podem ser mudadas: as crenças sobre a situação e as crenças sobre a habilidade de enfrentar a situação.
Como possível forma de atuação se tem a Terapia Cognitiva. Essa forma de terapia busca oferecer declarações para o cliente a fim de corrigir erros e mal entendidos. Neste processo, essas afirmativas são dadas como hipóteses a fim de serem testadas e comprovadas pelo sujeito. Outra possibilidade é a Terapia Racional – Emotiva, que tem como objetivo interrogar o sujeito, desafiando assim as suas crenças, proporcionando a ele a capacidade de reexaminá-las.
As pesquisas que se ocuparam de medir a eficácia das abordagens cognitivas encontraram bons índices de eficácias em todas as técnicas apresentadas, principalmente para o tratamento de fobias. Porém, permanece o questionamento de que a recuperação dos clientes tenha sido obtida por fatores comportamentais e não, de fato, cognitivos. Como uma crítica feita ao processo de Terapia Cognitiva onde, ao testar as hipóteses sugeridas pelo terapeuta, o cliente estaria se recuperando por estar sendo exposto ao estímulo, e não por uma reestruturação cognitiva.
5.5. Psicoterapias Humanistas (ACP e Gestalt Terapia)
Dentre as abordagens humanistas, talvez as mais disseminadas no Brasil sejam a ACP – Abordagem Centrada na Pessoa e a Gestalt Terapia. Ambas se fundamentam na fenomenologia e no existencialismo dialógico, como bases filosóficas que sustentam sua visão de homem e de mundo, e afirmam como principal recurso da prática terapêutica o estabelecimento do vinculo da relação pessoa-pessoa, buscando evitar a dicotomia sujeito-objeto, no qual o cliente estaria na posição de objeto subordinado ao conhecimento do psicoterapeuta.
As abordagens humanistas se baseiam também na compreensão de que o organismo tende à auto-regulação, ao equilíbrio homeostático e tem uma tendência atualizante, um movimento em direção à realização do seu projeto existencial e do desenvolvimento de suas potencialidades.
A ACP e a Gestalt Terapia apresentam diferenças em relação ao manejo técnico da relação terapêutica. A ACP baseia-se na compreensão empática, no olhar positivo incondicional e na congruência. Esses três pressupostos derivam do processo de evolução da abordagem, inicialmente como Terapia não diretiva (década de 30), passando pelo período da Terapia reflexiva ou centrada no cliente (décadas de 40 e 50), até a Terapia experiencial (década de 50), havendo nesse percurso uma mudança de atitude do terapeuta, da não diretividade a uma postura mais reflexiva (Boainain Jr. 1998). Posteriormente, Carls Rogers espandiu seu trabalho a atuação junto a grupos, desenvolvendo a metodologia dos grupos de encontro, que ampliaria a aplicabilidade dos pressupostos da ACP a contextos mais amplos.
O desenvolvimento da ACP por Rogers é registrado de forma sistemática em seus livros Psicoterapia e Consulta Psicológica (1942), Terapia Centrada no Cliente (1951) e Grupos de Encontro (1970), utilizando-se de análises de transcrições de sessões terapêuticas, com reflexões sobre a postura terapêutica e depoimentos de clientes submetidos aos trabalhos individuais e de grupo, sendo desenvolvida e reformulada a partir das experiências clínicas de Rogers e de seus colaboradores.
Já a Gestalt Terapia tem seu desenvolvimento marcado por dois momentos: antes e depois de Perls. Seu desenvolvimento inicial se deu entre as décadas de 50 e 70, empreendidos em movimentos distintos: o novayorkino e o caloforniano. O grupo novayorkino, liderado pela Laura Perls, Paul Goodman e Isadore From tinha uma preocupação maior na fundamentação teórico-filosófica da abordagem, e adotava uma postura terapêutica mais dialógica, sendo essa postura a que garantiria o sucesso do processo terapêutico. Já a vertente californiana, representada pelo Perls, se valia de experimentos e técnicas psicodramáticas que, realizadas em modelos de workshops de fins de semana, propunha a cura imediata a partir de vivências catárticas. Num primeiro momento, a Gestalt Terapia foi associada apenas a esses experimentos e técnicas desenvolvidos por Perls, que fazem parte da primeira parte do Gestalt Therapy (1951), nas transcrições dos workshops de Perls no Gestalt Terapia Explicada (1969) e da obra Tornar-se presente, do John Stevens (1971).
Ao longo dos últimos 30 anos, posteriores à morte de Perls, a Gestalt Terapia buscou um movimento de maior consistência teórico-filosófica e técnica, se aproximando de uma atitude terapêutica mais dialógica semelhante à adotada pela ACP, embora mantendo uma postura terapêutica mais ativa e não descartando completamente o uso de experimentos. A entrada de gestalt terapeutas no contexto acadêmico também contribuiu para uma maior sistematização da abordagem em termos técnicos e teóricos, refletindo sobre metodologias diversas, como em trabalhos de grupo (Tellegen, 1984), com sonhos (Lima Filho, 2002), e mais atualmente sobre o processo psicodiagnóstico (Pimentel, 2003), psicoterapia infantil (Aguiar, 2005) e psicoterapia de curta duração (Brito, 2009).
VI. Avaliação da Melhora pelas Psicoterapias
Para se estabelecer alguns parâmetros que possam direcionar uma avaliação mais segura da melhoria do cliente, alguns pontos devem ser levados em consideração. Quando uma pessoa se submete a um procedimento psicoterapêuticos, ela procura mudar aquilo que está lhe causando sofrimento ou ansiedade. Muitas vezes, a demanda pelos métodos terapêuticos é para modificar alguns ou uma série de comportamentos e melhorar ou progredir em suas relações interpessoais.
De forma geral, a melhora expressa por aqueles que passam por psicoterapia devem refletir numa melhora sintomática, em maior ou retomada da produtividade no trabalho, ajustamento e prazer aumentados no sexo, melhora nos relacionamentos interpessoais e habilidades aumentadas para cuidar de conflitos psicológicos. Esses critérios foram primeiro desenvolvidos por Knight em 1941(Wolpe, 1980), entretanto, já ultrapassado por uma visão mais contemporânea. De fato, o trabalho de Knight foi de suma importância e deve ser referenciado por ser uma das primeiras tentativas de estabelecer alguns pontos criteriosos a serem seguidos apara avaliar se o cliente está de fato melhor com a psicoterapia.
Evidente que esses critérios passaram por uma evolução (Atkinson, 2002). Atualmente, é importante avaliar se de fato houve mudanças no comportamento-alvo e melhoras nas relações interpessoais do cliente. Esse processo de avaliação deve ser levado em conta pelo cliente que se submete ao procedimento, pelo terapeuta que acompanha o caso e por um terceiro membro não incluído na psicoterapia, mas que possuem vínculo com a pessoa que está sendo atendida. Dessa forma, será considerando uma maior quantidade de fatores e elementos para avaliação da melhora do cliente. O que existe de comum nesses critérios, e que não se perdeu durante sua evolução são os processos de mudança do cliente, desde comportamento ou queixa que o levou a procurar o serviço de um profissional e se ocorreram alterações benéficas no seu ciclo social.
VII . Dificuldades na Avaliação da Eficácia
Na história das pesquisas de avaliação da eficácia, nem sempre seus procedimentos e objetivos foram alcançados ou claros. Há inúmeras variáveis que podem interferir no processo psicoterapêutico, e também na avaliação de eficácia. Um desses fatores é o da remissão espontânea, que nada mais é do que a melhora da pessoa sem se submeter a nenhum processo terapêutico. Esse evento não ocorre de maneira voluntária, mas com alguns fatores, que pode ser desde a mudança de comportamento, ambiente ou hábitos da pessoa, até a procura de apoio de amigos, grupo religioso, entre outros. A remissão espontânea coloca em xeque a questão de delimitação de até onde realmente a melhora vem de um procedimento técnico do profissional de Psicologia, ou de uma mudança que ocorreria de qualquer forma, com o passar do tempo.
Outro problema que se aponta quando se investiga a eficácia das psicoterapias está na forma como ocorre a medição dos resultados (Atkinson, 2002; Eysenck 1978), pois ainda não existe um conjunto de critérios consistentes que permitam com segurança indicar a real eficácia de um procedimento terapêutico para a melhora do quadro de um cliente. Essa fraca delimitação das características esperadas para concluir a eficácia da psicoterapia é um ponto ainda em debate e que não se tem expectativa de uma solução imediata.
Alguns fenômenos também se apresentam como um ponto de dificuldade na avaliação da eficácia das psicoterapias. O primeiro deles que se destaca é o efeito conhecido como “Olá-Adeus”, que é descrito por Atkinson, (2002, p. 540) como:
No início da terapia (o olá), as pessoas tendem a exagerar sua infelicidade e seus problemas, para convencerem o terapeuta de que realmente precisam de ajuda. Ao final da terapia (o adeus), elas tendem a exagerar seu bem – estar, para expressarem apreciação pelos esforços do terapeuta ou para convencerem a si mesmas que seu tempo e dinheiro não foram desperdiçados.
Esse tipo de fenômeno é mais comum do que realmente muitos profissionais conseguem identificá-lo, e pode interferir diretamente na avaliação sobre o procedimento realizado. Outro fenômeno reconhecido pelos pesquisadores da área de avaliação de eficácia é o denominado “veredicto do pássaro Dodô”, utilizado como metáfora retirada da história “Alice no país das maravilhas”, em que se é questionada se de fato existe alguma diferença significativa entre a eficácia das diversas abordagens e técnicas terapêuticas.
Não se pode deixar de ressaltar o papel desempenhado pelo terapeuta em fornecer dados para uma avaliação objetiva dos casos submetidos à psicoterapia. Segundo diversos autores (Atkinson, 2002; Jung, 2006, 2007), o terapeuta influencia diretamente para os resultados na avaliação da eficácia por ser muito rigoroso ao examinar o resultado dos casos acompanhados por esse, ou seja, pelo interesse de declarar a melhora do cliente. Para se evitar esses erros, Atkinson (2002) sugere que a avaliação do processo terapêutico deve ser feito em tríplice, ou seja, pelo próprio cliente, pelo terapeuta que o acompanha e por mais uma terceira pessoa que não esteja envolvida no processo, a fim de garantir a possível neutralidade dos resultados.
Outro grande problema que se aponta no campo da avaliação das psicoterapias está relacionado aos procedimentos empregados quando o público alvo possui comprometimentos de ordem psicopatológicos graves, como transtorno bipolar ou esquizofrenia. Nesses casos, há uma baixíssima eficácia de qualquer procedimento psicoterapêutico, o que nos faz questionar até que ponto os métodos da psicoterapia são capazes de proporcionar benefícios a todos.
Entretanto, os desafios e dificuldades na avaliação de eficácia das psicoterapias estão longe de ter um resultado conciliador devido aos inúmeros elementos que estão intrínsecos ao processo terapêutico.
VIII . Resultados de Pesquisas sobre Eficácia das Psicoterapias
Uma perspectiva diversa daquelas até então discutidas pode ser encontrada nas idéias de Ernest Poser. O autor, em um dos seus artigos, expõe uma pesquisa realizada com o objetivo de medir a eficácia de tratamentos de profissionais dotados de experiência, em comparação a pessoas destreinadas para exercer a posição de terapeuta. Neste sentido, o que se propõem encontrar é qual o “ingrediente ativo” que estaria presente na relação terapeuta-paciente. Se estaria na vivência e na sofisticação teórica ou seria melhor influenciada por fatores não específicos, como reações placebo, por exemplo.
Nesta pesquisa, realizou-se um experimento com 343 pacientes esquizofrênicos. Os mesmos foram distribuídos em grupos e cada grupo seguiria por um destes três caminhos: seriam atendidos por profissionais treinados para isso – como psiquiatras, terapeutas ocupacionais – ou seriam atendidos por “terapeutas” não treinados, neste caso representados por estudantes universitários sem qualquer conexão com a Psicologia ou a saúde mental. Por fim, outros grupos não receberam qualquer espécie de tratamento.
Uma bateria de testes – contendo provas de reação visual, fluência verbal, conflito cor-palavra, entre outros – foi aplicada antes e após que o trabalho realizado nestes grupos tenha sido realizado. É importante ressaltar que todos os terapeutas, treinados ou não treinados, tinham completa liberdade para conduzir as suas sessões de terapia dentro dos grupos, sem qualquer preparação ou sugestão. Agrega-se a isso o fato de que todos os pacientes imaginavam estar sendo tratados por profissionais que atuam na área de saúde mental.
Como resultado deste processo, foi possível perceber que os grupos tratados por terapeutas leigos obtiveram resultados melhores do que os grupos que não receberam tratamento. Os grupos tratados por terapeutas treinados também foi superior ao grupo em que não houve tratamento, porém de forma inferior ao grupo leigo.
Numa comparação direta, os grupos dos terapeutas leigos obtiveram resultados significativamente superiores aos grupos dos terapeutas treinados. Podemos considerar, porém, que o desvio padrão entre os pacientes foi menos nos grupos dos terapeutas treinados.
Poser afirma, em sua discussão, que o motivo para os terapeutas leigos terem sido mais bem sucedidos provavelmente aconteça pelo fato de que o “entusiasmo ingênuo” vindo desses terapeutas terem sido eficazes para compreender e suportar as flutuações de humor dos pacientes em questão, fugindo dos padrões estereotipados de tratamento de alguns grupos profissionais. Neste sentido, a discussão caminha para um questionamento que incide sobre a forma como os profissionais que buscam lidar com tais aspectos subjetivos vem sendo preparados e de que forma a teoria é assumida por eles, como um apoio que possibilite o acesso às questões e inquietações do outro, ou algo que se coloca como uma barreira entre o terapeuta e seu cliente, protegendo o primeiro e colocando o segundo numa posição passiva frente o próprio processo de tratamento.
IX. Relação Profissional e Ética
Um dos elementos que interfere de forma crucial para a avaliação da psicoterapia recai sobre os profissionais e as questões éticas envolvidas. O profissional deve lidar com inúmeras responsabilidades, que vão desde sua formação, até nas preocupações de suas condutas, que devem ser de acordo com as questões de fórum ético. Segundo o Código de Ética do Profissional do Psicólogo (2005), é vedado: “art. 2º: Prolongar, desnecessariamente, a prestação de serviços profissionais”. Ou seja, a avaliação da eficácia dos seus procedimentos é importante para evitar uma falha ética do profissional. Vale ressaltar que nessa celeuma, ainda está em evidencia a dualidade estabelecida entre o Abandono X “Alta”, já que ambas são levantadas por ponto de vistas diferentes. Segundo Jung (2006; 2007) essa discrepância decorre justamente da relação entre terapeuta e cliente, e das falhas ao se estabelecer critérios rigorosos de avaliação do término do procedimento terapêutico. Do ponto de vista da melhora do comportamento alvo, para alguns terapeutas, aquilo que o cliente considera como melhora, “alta”, ele interpreta como abandono, mostrando a insuficiência de se considerar apenas um lado da relação para avaliar o processo terapêutico.
Outro ponto que também incidi sobre a psicoterapia está na questão da bioética, ou seja, na utilização de humanos para pesquisa e de como isso pode afetar os participantes:
“Seria interessante considerar como poderia ser levada a efeito uma pesquisa mais adequada. Em primeiro lugar e com primazia, naturalmente, devemos insistir na necessidade de um grupo de controle, isto é, de um grupo selecionado sob a mesma base dos submetidos à psicoterapia, mas deixando sem tratamento durante certo período. É uma exigência básica, mas que muitas vezes provoca objeções fundadas em princípios éticos. Pode-se justificar a recusa de terapêutica – por inseguras que sejam as suas bases e por pouco que se saiba a propósito de seus efeitos – a uma pessoa que esteja, no momento, realmente sofrendo? Cria-se, assim, um verdadeiro dilema. (…)” (Eysenck, 1978, p. 170).
Autores como Eysenck (1978) e Atkinson (2002) apontam nessa direção e problematizam se é possível permitir que alguém, quando submetido a uma pesquisa no campo da eficácia da psicoterapia, permaneça sem tratamento. De fato, um outro desafio para pesquisas na área de eficácia.
X – Considerações Finais
Vimos então que a psicoterapia, de acordo com Atkinson (2002), é considerada efetiva se a melhora do cliente, após a terapia, é maior do que qualquer melhora que ocorra sem a terapia durante o mesmo período. E que existem critérios de eficácia de uma psicoterapia, tais quais: a duração, a relação terapeuta-paciente e o impacto da mesma nas relações interpessoais do cliente. É bem verdade que ainda não existe um conjunto de critérios consistentes que permitam com segurança indicar a real eficácia de um procedimento terapêutico para a melhora do quadro de um cliente.
Podemos, entretanto, situar alguns fatores comuns às psicoterapias e que produzem melhoras: Wolpe (1980); Atkinson(2002);
• Calor Humano;
• Relação interpessoal terapeuta-cliente;
• Conforto, apoio, confiança;
• Falta de julgamento;
• Impacto emocional do terapeuta;
• Experiência do terapeuta;
• Expectativa do cliente;
Como uma tentativa de aprimoramento das tecnologias capazes de dar uma resposta para a angústia e para o desamparo humanos, concluimos esse trabalho cientes de que esse é apenas o começo de um longo percurso de reflexões, crises e aprimoramentos profissionais de cada um de nós, afim de nos tornarmos competentes enquanto psicólogos e psicoterapeutas.
XI – Referências Bibliográficas
AGUIAR, Luciana. (2005). Gestalt-terapia com crianças: teoria e prática. Editora Livro Pleno.
ATKINSON, Rita L. Efetividade da Psicoterapia. In Introdução à psicologia de Hilgard. 13. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002, pp.540-541.
BAPTISTA, A.. Eficácia e disseminação dos programas psicológicos de tratamento. O desafio actual. Revista de Humanidades e Tecnologias, 1, 2º semestre, 52-61, 1999., Lisboa, Portugal.
CARVALHO, Marcele Regine de; NARDI, Antonio Egidio; RANGE, Bernard. Comparação entre os enfoques cognitivo, comportamental e cognitivo-comportamental no tratamento do transtorno de pânico. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo, v. 35, n. 2, 2008 . Disponível em . acessos em07 abr. 2009. doi: 10.1590/S0101-60832008000200004.
CASSORLA, Roosevelt M. Smeke. Procedimentos, colocação em cena da dupla (“Enactment”) e validação clínica em psicoterapia psicanalítica e psicanálise. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul, Porto Alegre, v. 25, n. 3, Dec. 2003 . Available from . access on03 Apr. 2009. doi: 10.1590/S0101-81082003000300004.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Código de Ética Profissional do Psicólogo. XII Plenária do Conselho Federal de Psicologia. Brasília, agosto de 2005.
CORDIOLI, Aristides Volpato. A terapia cognitivo-comportamental no transtorno obsessivo-compulsivo. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, 2009 . Disponível em . acessos em07 abr. 2009. doi: 10.1590/S1516-44462008000600003.
DEL PRETTE, Zilda Aparecida Pereira; DEL PRETTE, Almir. Significância clínica e mudança confiável na avaliação de intervenções psicológicas. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, v. 24, n. 4, Dec. 2008 . Available from . access on03 Apr. 2009. doi: 10.1590/S0102-37722008000400013.
DUCHESNE, Mônica et al . Evidências sobre a terapia cognitivo-comportamental no tratamento de obesos com transtorno da compulsão alimentar periódica. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul, Porto Alegre, v. 29, n. 1, abr. 2007 . Disponível em . acessos em07 abr. 2009. doi: 10.1590/S0101-81082007000100015.
EYSENCK, Hans Jurgen. Os efeitos da psicoterapia. In Usos e abusos da psicologia. 5. ed. Sao Paulo: IBRASA, 1978, Cap. X, pp. 165-177.
HAUCK, Simone et al . Fatores associados a abandono precoce do tratamento em psicoterapia de orientação analítica. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul, Porto Alegre, v. 29, n. 3, dez. 2007 . Disponível em . acessos em03 abr. 2009. doi: 10.1590/S0101-81082007000300005.
JUNG, Simone Isabel et al . História recente e perspectivas atuais da pesquisa de resultados em psicoterapia psicanalítica de longa duração. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul, Porto Alegre, v. 28, n. 3, dez. 2006 . Disponível em . acessos em03 abr. 2009. doi: 10.1590/S0101-81082006000300009
____________ NUNES, Lúcia Tiellet; EIZIRIK, Cláudio Laks. Avaliação de resultados da psicoterapia psicanalítica. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul, Porto Alegre, v. 29, n. 2, ago. 2007 . Disponível em . acessos em03 abr. 2009. doi: 10.1590/S0101-81082007000200010.
KNAPP, Paulo; ISOLAN, Luciano. Abordagens psicoterápicas no transtorno bipolar. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo, 2009 . Disponível em . acessos em07 abr. 2009. doi: 10.1590/S0101-60832005000700014.
LIMA FILHO, Alberto Pereira. (2002). Gestalt e sonhos. São Paulo: Summus.
PERLS, Frederick; HEFFERLINE, Ralph & GOODMAN, Paul. (1997). Gestalt Terapia. São Paulo: Summus.
PERLS, Frederick S. (1977). Gestalt Terapia Explicada: “Gestalt Therapy Verbatim”. São Paulo: Summus.
PHEULA, Gabriel Ferreira; ISOLAN, Luciano Rassier. Psicoterapia baseada em evidências em crianças e adolescentes. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo, v. 34, n. 2, 2007 . Disponível em . acessos em07 abr. 2009. doi: 10.1590/S0101-60832007000200003.
PIMENTEL, Adelma. (2003). Psicodiagnóstico em Gestalt-terapia. São Paulo: Summus.
PINTO, Ênio Brito. (2009) Psicoterapia de curta duração na abordagem gestaltica: elementos para a prática clínica. São Paulo: Summus
PORCHAT, Ieda. O que é psicoterapia. São Paulo: Brasiliense, 1989. (Primeiros passos (Brasiliense).
SANTOS, C. B. (2004) Abordagem Centrada na Pessoa – Relação terapêutica e processo de mudança. Revista do serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca, Vol.01, nº 2, março de 2004. Disponível em: http://www.psilogos.com/Revista/Vol1N2/Santos.pdf
SCAZUFCA, Marcia; MATSUDA, Cintia MCB. Revisão sobre a eficácia de psicoterapia vs. farmacoterapia no tratamento de depressão em idosos. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, 2009 . Disponível em . acessos em07 abr. 2009. doi: 10.1590/S1516-44462002000500012.
SCHESTATSKY, Sidnei; FLECK, Marcelo. Psicoterapia das depressões. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, 2009 . Disponível em . acessos em07 abr. 2009. doi: 10.1590/S1516-44461999000500007.
TELLEGEN, Therese A. (1984) Gestalt e Grupos: uma perspectiva sistêmica. São Paulo: Summus.
ULIAN, Ana Lúcia Alcântra de Oliveira. Uma sistematização da prática do terapeuta analítico-comportal. São Paulo, 2007 (Tese de doutorado).
WOLPE, Joseph. A avaliação da terapia comportamental. In Prática da terapia comportamental. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1980. Cap. 15, pp. 303-314.
http://www.pol.org.br/pol/export/sites/default/pol/publicacoes/publicacoesDocumentos/livro_psicoterapia.pdf
_____________________
* Artigo elaborado para a disciplina Teorias e Técnicas Psicoterápicas II, sob a orientação do Prof. Iodenor Mascarenhas Cerqueira, em 2009.1