Poesia Sonora
A poesia arrebentou meus timpanos
com o grito-mundo das angustias ternas
na delicada liquidez das dores turvas
do olhar sobre as águas de um lago
espelho móvel de transitória fluidade
das danças arcaicas de meus desejos
a poesia, palavra fera de mil dentes
fez a carne tremer sem tato, num arrepio
e fiz-me trânsito sem freio, sem faixas
nas brancas nuvens de meus sonhos
de sombra refletida em meus olhos
ilhadas gotas-coágulos de meus beijos
a poesia é nome indefinível, inominável
daquelas que só se conhece por magia
desenterrando charadas e feitiços de simpatia
como morrendo aos poucos, como gemendo
em noites de insônia e quase pânico
de quase ver a alma escapar do corpo
ganhando vida própria. em cavalgada.