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	<title>Luiz Fernando Calaça &#187; Arte</title>
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	<description>Gestalt, Arte e Literatura</description>
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		<title>Roberto Piva: Literatura e (homo)sexualidade como transgressão, mística e resistência</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Apr 2008 01:53:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Linguagem]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Numa madrugada de 2004, sapeando os canais de televisão, vi o anúncio de um documentário sobre o poeta paulista Roberto Piva, que seria exibido logo depois na TV Cultura. Desde os 11 anos eu passei a me interessar por literatura, comecei a escrever poemas em 2001 e sempre que possível eu assistia programas na TV [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Numa madrugada de 2004,<strong> </strong>sapeando os canais de televisão, vi o anúncio de um documentário sobre o poeta paulista Roberto Piva, que seria exibido logo depois na TV Cultura. Desde os 11 anos eu passei a me interessar por literatura, comecei a escrever poemas em 2001 e sempre que possível eu assistia programas na TV sobre a vida de escritores ou sobre arte.<span> </span>Fiquei esperando e assisti ao documentário <em>Assombrações Urbanas com Roberto Piva</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><span> </span>Tratava-se de um documentário feito sobre a visão da cidade de São Paulo a luz da poesia deste poeta. Nunca antes eu havia ouvido falar dele. Ao assisti, me apaixonei, tornando-me leitor e admirador de sua poesia, chegando a &#8220;catar&#8221; edições esgotadas de sua obra em sebos e dando pulos de alegria quando vi ser lançada os três volumes de sua Obra Reunida, pela Editora Globo: <strong><em>O Estrangeira na Legião</em></strong> (2006), <strong><em>Malas na mão &amp; asas pretas</em></strong> (2007) e o livro recém saído do prelo, <strong><em>Estranhos sinais de saturno</em></strong> (2008).</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">O que havia em sua escrita que me causou tanto interesse?</p>
<p><script type="text/javascript"><!--
&lt;! 
D(["mb","\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003ePrimeiro: sua\nescrita, de explícita influência surrealista, tem forte cunho\nautobiográfico.\u003cspan\u003e  \u003c/span\u003eEscrita delirante, em\nfluxo de consciência, pulsante e alucinada, de forma semelhante à que eu\ntateava em meus momentos de criação poética adolescente.\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003eSegundo: Sua\ntemática homoerótica, sexual e transgressiva, sem falsos moralismos e\ncontestatária, anárquica e \u003cb\u003ejovem\u003c/b\u003e. \u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003eTerceiro: Seu\nsincretismo religioso e estético e erudição. Sua escrita que ressignifica,\natravés de uma apropriação pessoal, referências mil da literatura clássica e\nmarginal, da filosofia existencialista, do cinema de vanguarda, das artes. \u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003eNo\ndocumentário Assombrações Urbanas há vários depoimentos de intelectuais que\nviveram o contesto de produção da obra de Piva e reconhecem sua importância\nenquanto representante e ícone na literatura brasileira da temática e da expressão\nda sexualidade e do homoerotismo como forma de transgressão – ou transvaloração\n- de valores burgueses e da livre expressão da homossexualidade enquanto\nvivência e construção identitária. \u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003eSua escrita,\nno entanto, não é militante, mas crítica. Segundo o próprio poeta, essa idéia\nde \u0026quot;se assumir\u0026quot; gay, lésbica é uma reprodução de um modelo bancário de\nsociedade, que tenta dividir as coisas, rotular para controlar. Dizer como cada\num deve ser e se comportar. Sua afirmação da homossexualidade se dá pela primazia\ndo sexo como manifestação e afirmação da potência de vida, exercício da\nliberdade sobre formas repressoras de controle social.\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003eEm seu livro \u003cb\u003e\u003ci\u003eCoxas\u003c/i\u003e\u003c/b\u003e\n(1979) fica explícita essa apologia à vivencia plena da sexualidade como forma\nde desconstrução e afirmação de valores de liberdade, vitalidade e expressão\nplena da condição humana. O sexo, na maioria das vezes realizado entre jovens\ngarotos, se dá de forma coletiva, em orgias, que na realidade traz consigo\nvalores de \u0026quot;comunidade\u0026quot;. Jovens pederastas que vivenciam o sexo, os delírios e\nalucinações em grupo, em comunhão quase religiosa. ",1]
);</p>
<p>// &gt;
// --></script></p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Primeiro: sua escrita, de explícita influência surrealista, tem forte cunho autobiográfico.<span> </span>Escrita delirante, em fluxo de consciência, pulsante e alucinada, de forma semelhante à que eu tateava em meus momentos de criação poética adolescente.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Segundo: Sua temática homoerótica, sexual e transgressiva, sem falsos moralismos e contestatária, anárquica e <strong>jovem</strong>.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Terceiro: Seu sincretismo religioso e estético e erudição. Sua escrita que ressignifica, através de uma apropriação pessoal, referências mil da literatura clássica e marginal, da filosofia existencialista, do cinema de vanguarda, das artes.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">No documentário Assombrações Urbanas há vários depoimentos de intelectuais que viveram o contesto de produção da obra de Piva e reconhecem sua importância enquanto representante e ícone na literatura brasileira da temática e da expressão da sexualidade e do homoerotismo como forma de transgressão – ou transvaloração &#8211; de valores burgueses e da livre expressão da homossexualidade enquanto vivência e construção identitária.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Sua escrita, no entanto, não é militante, mas crítica. Segundo o próprio poeta, essa idéia de &#8220;se assumir&#8221; gay, lésbica é uma reprodução de um modelo bancário de sociedade, que tenta dividir as coisas, rotular para controlar. Dizer como cada um deve ser e se comportar. Sua afirmação da homossexualidade se dá pela primazia do sexo como manifestação e afirmação da potência de vida, exercício da liberdade sobre formas repressoras de controle social.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Em seu livro <strong><em>Coxas</em></strong> (1979) fica explícita essa apologia à vivencia plena da sexualidade como forma de desconstrução e afirmação de valores de liberdade, vitalidade e expressão plena da condição humana. O sexo, na maioria das vezes realizado entre jovens garotos, se dá de forma coletiva, em orgias, que na realidade traz consigo valores de &#8220;comunidade&#8221;. Jovens pederastas que vivenciam o sexo, os delírios e alucinações em grupo, em comunhão quase religiosa. <script type="text/javascript"><!--
&lt;! 
D(["mb","\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003eAo longo de\nsua obra, Piva aborda a sexualidade de forma tal que se aproxima da experiência\nmística e religiosa. A religião, nesse sentido, remete a um sentido radical, de\nretorno às raízes ancestrais indígenas, aos rituais xamânicos e de conversão\nespiritual, possessão das formas da natureza, animalista. Assim, os jovens\nincorporam nomes de animais selvagens e seu sexo é expressão das forças e\ninstintos da natureza. Tanto na obra Coxas (1979) quando em \u003cb\u003e\u003ci\u003eCiclones\n\u003c/i\u003e\u003c/b\u003e(1997), quando seus poemas ganham formas mais solenes de reverência ao\nmístico e as experiências xamânicas.\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003eEssa relação\ncom o mundo místico e religioso, agora, me faz lembrar da compreensão trazida\npor Peter Fry, em seu livro \u003ci\u003eO que é\nhomossexualidade\u003c/i\u003e, quando se refere à figura do \u003ci style\u003d\"color:rgb(0, 0, 0);font-weight:bold\"\u003eberdache\u003c/i\u003e\u003cspan style\u003d\"color:red\"\u003e \u003c/span\u003e– \u0026quot;homem-mulher\u0026quot; ou\n\u0026quot;mulher-homem\u0026quot; que ocupa um lugar de transgressão, por se situar no \u0026quot;não lugar\u0026quot;\nentre os papéis sociais e sexuais do masculino e feminino, geralmente associado\na figuras de poder social ligado ao sagrado, como líderes espirituais, tanto no\ncandomblé, como em outras práticas religiosas. \u003cspan\u003e \u003c/span\u003eEsse lugar, de certa forma é muitas vezes\nassociado ao homossexual, quando se reproduz a crença e o esteriótipo de que\nsão geralmente pessoas mais cultas, com sensibilidade artística e\nrepresentantes da intelectualidade acadêmica ou religiosos – o que não deixa,\nem parte, de ter um quê de verdade. \u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003ePiva, não só\nem sua poesia, como em sua vida, incorpora esse lugar, tanto por ser um\nintelectual e erudito, conhecedor de arte, literatura e filosofia, quando por\nser xamã, praticando rituais de cura. Mas, principalmente sua notoriedade\nenquanto representante dessa voz transgressiva e crítica é que se faz marcante,\ntanto em sua poesia, ao longo de 40 anos de produção marginal, quando na\nvivência e afirmação da homossexualidade, como forma de resistência e oposição\nao moralismo hipócrito e",1]
);</p>
<p>// &gt;
// --></script>
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Ao longo de sua obra, Piva aborda a sexualidade de forma tal que se aproxima da experiência mística e religiosa. A religião, nesse sentido, remete a um sentido radical, de retorno às raízes ancestrais indígenas, aos rituais xamânicos e de conversão espiritual, possessão das formas da natureza, animalista. Assim, os jovens incorporam nomes de animais selvagens e seu sexo é expressão das forças e instintos da natureza. Tanto na obra Coxas (1979) quando em <strong><em>Ciclones </em></strong>(1997), quando seus poemas ganham formas mais solenes de reverência ao místico e as experiências xamânicas.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Essa relação com o mundo místico e religioso, agora, me faz lembrar da compreensão trazida por Peter Fry, em seu livro <em>O que é homossexualidade</em>, quando se refere à figura do <em style="color: #000000; font-weight: bold;">berdache</em><span style="color: red;"> </span>– &#8220;homem-mulher&#8221; ou &#8220;mulher-homem&#8221; que ocupa um lugar de transgressão, por se situar no &#8220;não lugar&#8221; entre os papéis sociais e sexuais do masculino e feminino, geralmente associado a figuras de poder social ligado ao sagrado, como líderes espirituais, tanto no candomblé, como em outras práticas religiosas. <span> </span>Esse lugar, de certa forma é muitas vezes associado ao homossexual, quando se reproduz a crença e o esteriótipo de que são geralmente pessoas mais cultas, com sensibilidade artística e representantes da intelectualidade acadêmica ou religiosos – o que não deixa, em parte, de ter um quê de verdade.</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Piva, não só em sua poesia, como em sua vida, incorpora esse lugar, tanto por ser um intelectual e erudito, conhecedor de arte, literatura e filosofia, quando por ser xamã, praticando rituais de cura. Mas, principalmente sua notoriedade enquanto representante dessa voz transgressiva e crítica é que se faz marcante, tanto em sua poesia, ao longo de 40 anos de produção marginal, quando na vivência e afirmação da homossexualidade, como forma de resistência e oposição ao moralismo hipócrito e<script type="text/javascript"><!--
&lt;! 
D(["mb","\u003cspan\u003e  \u003c/span\u003eopressão e\nrepressão à livre vivência da sexualidade e dos direitos humanos.\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003eCreio que\nhoje, mais de 40 anos depois da início de sua produção literária, Piva continua\natual, num contexto social e político que ainda está muito aquém dos ideais de\ndireito a igualdade e liberdade social do exercício da sexualidade, quando\nainda se luta pelo direito à legalização da união civil entre gays e lésbicas,\nadoção e da presença da homofobia em nosso cotidiano. Como diria o \u003cb\u003eJoão Silvério Trevisan\u003c/b\u003e, o Roberto Piva\njá era referência da livre vivencia da homossexualidade, num tempo em que ainda\nnão se tinha nada em que o jovem pudesse se espelhar para construir sua\nidentidade. \u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003e \u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003eAbaixo, segue\nalguns poemas do poeta Roberto Piva:\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"\u003e \u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0.0001pt 108pt\"\u003e\u003cb\u003e\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt\"\u003eLIBELO\u003c/span\u003e\u003c/b\u003e\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt\"\u003e  \u003cbr\u003e\n \u003cbr\u003e\nNão mais trarei justificações  \u003cbr\u003e\nAos olhos do mundo.  \u003cbr\u003e\nSerei incluído  \u003cbr\u003e\n\u0026quot; Pormenor Esboçado \u0026quot;  \u003cbr\u003e\nNa grande bruma.  \u003cbr\u003e\nNão serei batizado,  \u003cbr\u003e\nNão serei crismado,  \u003cbr\u003e\nNão estarei doutorado,  \u003cbr\u003e\nNão serei domesticado  \u003cbr\u003e\nPelos rebanhos  \u003cbr\u003e\nDa terra.  \u003cbr\u003e\nMorrerei inocente  \u003cbr\u003e\nSem nunca ter  \u003cbr\u003e\nDescoberto  \u003cbr\u003e\nO que há de bem e mal  \u003cbr\u003e\nDe falso ou certo  \u003cbr\u003e\nNo que vi.\u003c/span\u003e \u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0.0001pt 108pt\"\u003e\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt\"\u003e(in:\n\u003ci\u003eAntologia dos Novíssimos\u003c/i\u003e, 1961)\u003c/span\u003e\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0.0001pt 108pt\"\u003e\u003cb\u003e\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt\"\u003e \u003c/span\u003e\u003c/b\u003e\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0.0001pt 108pt\"\u003e\u003cb\u003e\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt\"\u003e \u003c/span\u003e\u003c/b\u003e\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0.0001pt 108pt\"\u003e\u003cb\u003e\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt\"\u003e \u003c/span\u003e\u003c/b\u003e\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0.0001pt 108pt\"\u003e\u003cb\u003e\u003cspan style\u003d\"font-size:10pt\"\u003e \u003c/span\u003e\u003c/b\u003e\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0.0001pt 108pt\"\u003e",1]
);</p>
<p>// &gt;
// --></script><span> </span>opressão e repressão à livre vivência da sexualidade e dos direitos humanos.
</p>
<p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;">Creio que hoje, mais de 40 anos depois da início de sua produção literária, Piva continua atual, num contexto social e político que ainda está muito aquém dos ideais de direito a igualdade e liberdade social do exercício da sexualidade, quando ainda se luta pelo direito à legalização da união civil entre gays e lésbicas, adoção e da presença da homofobia em nosso cotidiano. Como diria o <strong>João Silvério Trevisan</strong>, o Roberto Piva já era referência da livre vivencia da homossexualidade, num tempo em que ainda não se tinha nada em que o jovem pudesse se espelhar para construir sua identidade.</p>
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		<title>Qual é o momento para se começar a terapia?*</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Dec 2007 01:35:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[terapia]]></category>

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		<description><![CDATA[Luiz Fernando Calaça de Sá Júnior É curioso. Todos os gestaltistas que ouvi defendem a terapia para terapeutas. Os psicanalistas também. Eu acho importante. Fundamental. Mas sempre me pergunto: Qual é o momento para se começar a terapia? Penso algumas outras coisas também: - A função da terapia é fazer com que a pessoa possa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: right" align="right"><em>Luiz Fernando Calaça de Sá Júnior</em></p>
<p>É curioso. Todos os gestaltistas que ouvi defendem a terapia para terapeutas. Os psicanalistas também. Eu acho importante. Fundamental. Mas sempre me pergunto: Qual é o momento para se começar a terapia?</p>
<p>Penso algumas outras coisas também:</p>
<p>- A função da terapia é fazer com que a pessoa possa lidar de forma mais autônoma com sua própria vida. Quem já faz isso, precisa de terapia?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">- A terapia é indicada pra quem sobre de angústias &#8211; o &#8220;sofrimento psíquico&#8221; dos psicanalistas. As angústias existenciais, no entanto, não serão dissolvidas na terapia. Aprendemos nela a lidar melhor com as angustias, e saber nos posicionar de forma ativa, ou da melhor maneira possível, diante delas.</p>
<p>- A terapia deve ser um lugar de acolhimento, em que a pessoa se sinta a vontade para se abrir no encontro com o outro. É um chamado para um encontro. E se a pessoa não se sentir assim, confortável? Lidar com o desconforto, trabalhar esse desconforto, se torna tema. Isso pode servir para expandir a percepção do cliente para outros momentos em que se depara com desconfortos, mas pode também virar uma tática de convencimento do terapeuta da importância de se fazer terapia. Às vezes essa figura pode ser artificial, produto do próprio contexto artificial da terapia. Talvez seja preciso se pensar se aquele é o momento certo.</p>
<p>- <em>&#8220;A psicoterapia se alimenta dos psicólogos, autofagicamente&#8221;.</em> (Isso foi uma sacada que me foi mostrada por dois professores meus). Psicoterapeutas TÊM DE passar por psicoterapia. Um imperativo da profissão. Nisso vejo alguns lados da moeda, polaridades:</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">1) Experimentar a posição de cliente para poder compreender melhor esse lugar, e saber lidar com as angústia daquele que, no futuro, virá te procurar &#8211; eu gosto e concordo com esse argumento;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">2) Um caminho complementar para o aprendizado do modo de ser terapeuta &#8211; concordo parcialmente com esse aspecto, pois é possível que aprendamos e reproduzamos alguns &#8220;maus hábitos&#8221;, por pura reprodução, quando não se tem senso crítico, impedindo a emergência de um estilo próprio &#8211; defendido tanto pela Laura Perls;</p>
<p>3)  Uma forma de se preservar a prática da clínica indiviual, por questão de mercado e campo de atuação profissional, para que todos tenha a possibilidade de exercer a clínica &#8211; descordo completamente, vendo nisso uma posição mesquinha e anti-ética.</p>
<p>Minha crítica é em parte resistência (por que não? também sou humano e filho de Deus. Terapia é cara pra chuchu e nem sempre é possível escolher o terapeuta com quem se acha mais confortável em função disso) e luta pela minha liberdade de escolha (meu eu sartreano se revoltando!).</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">Sei que essas observações parecem &#8220;racionalizações&#8221; minhas. Mas também são meus <em>insights</em> e reflexões críticas sobre a questão. Não consigo aceitar passivamente um imperativo que remete aos tempos de Freud. Acredito veementemente em outras formas, talvez até mais criativas, de estar consigo mesmo, ampliar a <em>awarness</em>, posicionar-se sobre o mundo e ir em busca de saúde.</p>
<p>A poesia, a música, a arte, a natureza, amigos, namoro, amar, fazer sexo&#8230; Todos são ou podem ser extremamente terapêuticos. A psicoterapia não é a única, nem a melhor.  É algo que nem medicina halopática e homeopática, acumpuntura, massagens curativas, rituais xamânicos, candomblé, etc etc. Existe a técnica, existe o saber teórico por traz da técnica, mas os resultados são alcançados diferentemente para cada um, em seu processo individual, segundo os significados e crenças que cada um traz em sua vida.  É isso!</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">Defendo a psicoterapia. Escolhi AGORA, começar uma. Já tinha me dado conta antes, em alguns momentos de sua necessidade, mas não serei escravo dela. Preso por minha liberdade, até mesmo pela liberdade de escolher estar preso, imobilizado, em minhas angústias. Só assim creio que poderei de fato aprender a dar meus passos e escolher meus caminhos, ou abrir outros no meio da mata cerrada.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">Não sei&#8230; Me tornei indisciplinado e questionador. Não sei se isso é bom ou ruim.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">Se um dia eu vier a ser professor direi tudo isso a meus alunos. Defenderei o direito deles de escolher o momento certo, ou escolher outros caminhos. Se não fizer isso, acho que estarei sendo incoerente comigo mesmo e com o que eu acredito ser o que me move na Gestalt.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">___________</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify">* Texto desenvolvido a partir de e-mail encaminhado por mim a Luciana Aguiar, quando trocamos impressões sobre o tema, em 28 de dezembro de 2007.</p>
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		<title>Gestalt-terapia e transgressão: a relação terapeuta-cliente e a arte na pós-modernidade.</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Dec 2007 14:05:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Fernando Calaça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Gestalt]]></category>

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		<description><![CDATA[Luiz Fernando Calaça de Sá Júnior Neste breve ensaio, que neste momento me proponho a escrever, busco apresentar, tomando ainda como base o livro de Hugo Elídio, &#8220;Introdução à Gestalt-Terapia&#8221;, um paralelo entre essa abordagem e a perspectiva de arte na pós-modernidade. Tenho que admitir que meus argumentos não se fundamentam necessariamente a conhecimento teórico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Luiz Fernando Calaça de Sá Júnior</em></p>
<p>Neste breve ensaio, que neste momento me proponho a escrever, busco apresentar, tomando ainda como base o livro de Hugo Elídio, &#8220;Introdução à Gestalt-Terapia&#8221;, um paralelo entre essa abordagem e a perspectiva de arte na pós-modernidade. Tenho que admitir que meus argumentos não se fundamentam necessariamente a conhecimento teórico específico, ou seja, não pretendo fazer citações ou lançar mão de referências bibliográficas, mas apenas esboçar um raciocínio decorrente de discussões travadas em nossa última reunião do grupo de estudos e em conversas minhas com minha irmã, concluinte do curso de em Letras, pela UFBA.<br />
Bem, primeiramente tratarei da questão ligada à postura do terapeuta em relação ao cliente na terapia, que creio já ter sido mais do que trabalhada em meus outros textos, mas que retomo agora por achar pertinente e necessário. Tendo como base nossas leituras do livro de Elídio, bem como nossas aulas de Teorias e Sistemas Psicológicos II, com a professora Lika Queiroz, temos que a Gestalt-Terapia, com sua base fenomenológica e existencial, tende a valorizar o sujeito enquanto consciência de si mesmo e do mundo. Nisso, a terapia buscaria validar o sujeito e mobiliza-lo a tomar consciência, <em>awareness</em>, de si mesmo, cabendo ao terapeuta o papel de mediador, de facilitador desse processo de auto-descoberta, através de uma relação dialógica de caráter eu-tu.<br />
Nesse ponto creio que devemos ressaltar o caráter inovador da Gestalt-Terapia e das abordagens humanistas no sentido de verdadeiramente transgredir a noção de terapia como prática de promover a saúde. Transgressora no sentido de corromper com a concepção de doença do modelo médico, que visa geralmente alcançar a cura do sintomas e deixa de encarar o paciente-cliente como um indivíduo, uma totalidade que é muito mais complexo que um organismo físico, sem no entanto desmerecer esse aspecto. É claro que a medicina e as outras áreas de saúde tendem, atualmente, eu imagino, ou torço para que assim seja, a buscar desenvolver esse olhar sensível ao ser humano, como ser dotado de subjetividade, emoções e individualidade, que vai além da disfunção de um órgão ou de um quadro classificado como psicopatológico.<br />
Além disso tudo, e eis um dos aspectos que mais me chamaram a atenção para essa abordagem, é a relação direta da prática com a arte, com formas de expressão, seja ela dramática, corporal, ou visual e expressiva. Nesse ponto também a Gestalt-Terapia traz uma nova dimensão dessas técnicas, no sentido de não buscar a interpretação racional dos produtos de criação artística, como se propõe, por exemplo, a Psicanálise, ao buscar interpretar os elementos simbólicos e inconscientes presentes no objeto criado. A Gestalt-Terapia se preocupa em fazer com que o cliente entre em contato com suas criações, colocando-as como um prolongamento do próprio indivíduo, como parte significativa de sua individualidade e subjetividade, possibilitando assim se estabelecer um momento existencial de auto-descoberta e significação.<br />
Dessa forma não é o terapeuta quem exerce um papel de voz autorizada para interpretar e analisar o sujeito, desvelando seus mecanismos de expressão e comportamento, mas sim o próprio sujeito, o cliente, torna-se responsável por sua vida, sua existência, ao ter valorizado seus aspectos criativos, sua identidade e sua autonomia, ao ter, durante o processo terapêutico, despertada a consciência para sua própria existência, para seu compromisso e sua responsabilidade existencial na relação travada consigo mesmo e com o mundo.<br />
É quanto à questão de corromper com essa &#8220;voz autorizada&#8221;, exercida pelo terapeuta, que traço um paralelo entre a Gestalt-Terapia e a arte na pós-modernidade.<br />
Durante nossa última reunião do grupo de estudos, quando tratávamos da relação estabelecida entre terapeuta-cliente, lembrei-me de ter visto em uma livraria um livro com um título como &#8220;Lixo ou Arte?&#8221;. Não me lembro o nome do autor, mas tratava sobre a arte na pós-modernidade, envolvendo os movimentos de arte conceitual e as vanguardas pós-década de cinqüenta. Pelo que eu pude perceber, e coerente a conversas que tive com minha irmã sobre literatura e arte durante o período dela na graduação, creio que o ponto fundamental de discussão era o fato de um objeto aparentemente ordinário, banal e cotidiano, como um conjunto de louça para servir café (exemplo citado no fundo do livro que eu vi na livraria) se tornar um objeto de arte, leiloado por 24 mil dólares, pelo simples fato de ter se transformado em uma relíquia, ao participar de uma performance de um artista servindo xícaras de café para os visitantes de um Museu. A grande polêmica por traz disso está no fato de que a peça em questão, por ter sido qualificada por uma voz autorizada, como um crítico de arte ou um artista famoso, passa a ter um valor maior, adicional, que o distingue dos outros jogos de chá, que o estigmatiza e o rotula como obra de arte, ou lixo. De forma semelhante temos os críticos de literatura que distingue a boa literatura, ou literatura canônica, da baixa literatura, literatura menor ou marginal.<br />
O que percebemos é uma crise, na pós-modernidade, desses juízos de valores, em que o lixo, o ordinário, o cotidiano, ganha qualidades artísticas que corrompe com a estética do belo, com o equilíbrio das formas, por ter acentuado ou sinalizado qualidades além do tradicionalmente estabelecido, do dito canônico ou acadêmico. Se bem, é claro, que para ter um novo significado adquirido ele passa por um processo de ressignificação, de requalificação, estabelecido por uma voz autorizada que corrompe a ordem anterior, transgride as regras, e, de certa forma, estabelece novas formas de ver o mundo, novos paradigmas, nova percepção da realidade.<br />
O importante de se observar é que na última década está havendo uma tendência a se estabelecer um processo mais acentuado de ruptura desses conceitos, quando os valores de arte ou não-arte são contestados, e passa a ter como base o olhar individual. De que forma aquele objeto é para mim artístico ou não?! Tendo como ponto principal a emoção, a sensação que aquele objeto me desperta, ao apresentado a mim num novo contexto.<br />
Creio que essa perspectiva se assemelha à postura fenomenológica, quando voltamos nosso olhar para o objeto e buscamos significa-lo, através de um contato, de uma relação existencial, onde buscamos &#8220;colocar entre parênteses&#8221; nossos preconceitos, nosso olhar normalizado, e buscamos alcançar dimensões mais sensíveis, menos contaminadas pelo juízo de outro, explorando as infinitas possibilidades e ângulos da forma e do fenômeno que se manifesta.<br />
Na literatura, temos o abandono, em parte, do discurso oficial, das grandes temáticas sociais, dos grandes ideais panfletários e politizados para submergir no eu, na subjetividade de um narrador que a cada instante se descobre (e se perde) como sujeito da trama, muitas vezes imprecisa, incoerente ou desassossegada, quando verdades são desfeitas e buscam-se respostas que talvez não existam, ou existam num espaço e numa realidade restrita, do indivíduo. Observamos, então, o crescente número de obras literárias de caráter autobiográfico, introspectivo e confissional. Em outro ponto, principalmente por meio da um interesse cada vez maior despertado pela mídia, temos a banalização da vida privada, através de programas como Big Brother, como forma, talvez, de se estabelecer contato, de se buscar no outro verdades, padrões e valores que não conseguimos encontrar em nós mesmos, em nosso circulo de relações frágeis e fragmentados, perdidos e desencontrados que somos.<br />
Temos então na pós-modernidade um momento caótico, de mudanças bruscas e de rumos indefinidos.<br />
Na Gestalt-Terapia vejo uma relação bem coerente a esse processo. Ao buscar uma perspectiva ateórica (não interpretativa, não sugestiva, que não castra as possibilidades diversas do indivíduo) na abordagem com o paciente, estabelece-se uma relação imersa num caos, o que não significa o mesmo que desordem, mas sim indeterminísta, que possibilitaria travar contatos criativos com o indivíduo desencontrado consigo mesmo e inconsciente de sua própria existência, com sua realidade, com sua vida e individualidade. Assim, temos não apenas o paciente com sua doença a ser tratada, mas uma situação em potencial de recriar e ressignificar o mundo, entrar em diálogo com as aflições, com os desejos e medos do sujeito, que sai, ao menos momentaneamente do completo anonimato das multidões, dos discursos e das ideologias, cada vez mais vazios e frágeis, para dialogar com o eu e o outro, que em relação, se encontram e se constroem, desenvolvendo seus potenciais criativos, sua expressividade e sua autonomia e auto-regulação.<br />
É isso! Não posso dizer que neste momento não trago um discurso e não me coloco como uma voz autorizada que expões um ideal. Mas acho que a pós-modernidade não anula simplesmente os ideais, apenas fragilizando-os, desorganizando a realidade e o mundo como concebemos com nosso olhar condicionado e viciado, para que possamos, talvez sozinhos, talvez em contato com um outro, numa relação eu-tu, criar e significar nossa própria realidade, conscientes sempre de sua mutabilidade e da presença constante de vazios e formas a preencher e fechar com nossas muitas escolhas possíveis no aqui, no hoje, neste segundo que escorre como pintura de Salvador Dalí.</p>
<p>Salvador, 12/08/2005</p>
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